Resenhas

Eliana Yunes

Cátedra UNESCO de Leitura da PUC-Rio

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ABC do continente Africano.

BARBOSA, Rogério Andrade. ABC do continente Africano. Ilustrações de Luciana Justinianni Hess. São Paulo: Edições SM, 2007.

Resenha: Um precioso livro de iniciação ao mundo cultural e social da África, com seus 54 países, mil línguas e um caldeirão de expressões religiosas. Livro informativo de alta beleza gráfica e sucinta, mas de valiosa recolha alfabética de traços do continente, talvez, o mais antigo do mundo das civilizações. Com imagens muito expressivas de seu universo anticolonialista, aplicadas sobre base dos tecidos que as mulheres de africanas tecem e usam, já oferece uma viagem que o texto curto dos verbetes ilumina com bastante sugestividade.  Dividido o olhar sobre as riquezas naturais e culturais do seu território e o acento subliminar na ocupação europeia, o livro aponta para a multiplicidade de conhecimento que o continente, ainda desconhecido e violentado por seus próprios cidadãos e pelos estrangeiros, segue demandando em seu extraordinário potencial natural e humano.

Homens da África

KOUROUMA, Ahmadou. Homens da África. Ilustrações de Giorgio Bacchin. São Paulo: Edições SM, 2009.

 

Resenha: Entre livros ficcionais como Histórias de Ananse, doublé de Sísifo e Mercúrio da mitologia Africana, e este que apresenta a memória histórica de figuras-pilares da organização dos impérios do Oeste, uma visão do horizonte continental africano se desenha na coleção da editora. Trabalhando como narrativas a vida cotidiana em um único dia de um griô, de um príncipe, de um caçador e de um ferreiro, a obra expões atribuições, atitudes, deveres e os rituais e práticas na vida social destes titulares importantes, podem dar uma ideia da estrutura da vida tribal organizada em séculos anteriores às invasões colonialistas. A presença de figuras escravas no relato demonstra a presença desta prática entre os povos autóctones, como se vê desde o relato bíblico de Moisés.

Dima o passarinho que criou o mundoDima o passarinho que criou o mundo.  Ilustrações de Angelo Abu.  São Paulo: Melhoramentos, 2015.

Vários autores de diferentes países lusófonos recolhem, nesta obra, narrativas míticas de seus países.  A todas narrativas acompanha um glossário.

 

GONÇALVES, Zetho Cunha. “Dima o passarinho que criou o mundo”.

 Resenha: Este é um reconto que faz parte da cosmogonia do povo San que tem uma vida bastante primitiva no sul de Angola e norte da Namíbia. Vivem de caça e são nômades, sem raiz bantu. Falam por estalidos e são monogâmicos. Esta narrativa apreendida no convívio do autor com os meninos que desenham no chão o que não conseguem expressar nos cliques da língua, fala do pequeno pássaro de fogo, teimoso em criar belezas, que foi desenhando o mundo numa longa viagem para longe de seu território e gerando, como no Gênesis, cada coisa de uma vez, até culminar no homem e na mulher. Povoado de imaginação, poesia e do sentido da justiça, o conto mostra a capacidade de inventar um mundo de sensibilidade e inteligência na harmonia entre os seres.

 

BARBOSA, Rogério Andrade.  “A Casa do Vai-mas-não-volta-mais”.

Resenha: Reconto da tradição oral do nordeste brasileiro, com estrutura similar a contos europeus: o negrinho herói propugnando por vida melhor e justiça, em auxílio aos meninos irmãos em luta com uma velha malvada, buscando uma vida melhor, lembra a narrativa do esperto Saci-Pererê, e remonta ao fio narrativo das histórias medievais em que provas e peripécias culminam com um desfecho de punição e justiça.

 

 

LOPES, Leão. “A história de Blimundo”.

Resenha: Uma narrativa ancestral cabo-verdiana que metaforiza na história do boi Blimundo, a luta para libertação do jugo da servidão e mais uma história de paixão usada para exercer a opressão e traição. Fascinado pela possibilidade de libertar sua amada e seduzido por uma canção, ele se deixa conduzir até o desfecho trágico, também como em outras narrativas com o boi por personagem. A história é narrada com grande expressividade e com estrutura clássica dos heróis que lutam pela liberdade.

 

FERNANDES, Andrea. “O encontro”.

Resenha: Vários contos memoráveis de Guiné Bissau estão em miscelânea na narrativa que guarda, no entanto, uma ligação com os contos fundadores da convivência humana: o lado invejoso e assassino dos detratores dos bons e justos em sua tenacidade para fazer com que o bem prevaleça. Um forasteiro volta à sua terra natal, guardada no imaginário como harmônica, e se vê na obrigação de restaurá-la, mesmo com o risco de morte. A magia e o maravilhoso da promessa de resgatar a pequena aldeia embalam o desejo de vencer o mal.

 

OUANA, Miguel. “Toutinegra, o pássaro vaidoso e preguiçoso”.

Resenha: Este conto de Moçambique tem um caráter educativo buscando passar através da lição da toutinegra – que não faz ninho e tem que viver entre intempéries –  um exemplo do que não devem fazer os meninos em sua vida. A história com seus prós e contras faz com que os meninos se ponham a pensar nos matizes da liberdade e seus custos.

 

PEREIRA, J. Carlos. “A Galinha Catulinha”.

Resenha: O autor, filósofo português e professor universitário, reconstrói este conto a partir de duas fábulas narradas por Teófilo Braga. Aqui se discutem duas ordens de experiências: a das noções de realidade e imaginação e a das de solidariedade e oportunismo. A partir da imaginação de que o céu está caindo aos pedaços na cabeça da galinha, os animais se mobilizam para proteger a ela e outros bichos. Este périplo de todos ensaia uma versão de como o convívio universal poderia ser mais justo e fraterno.

 

BRAGANÇA, Albertino. “O mensageiro”.

Resenha: De São Tomé e Príncipe vem este reconto de uma tragédia clássica do ciclo carolíngio que deve ter aportado à ilha durante o apogeu da lavoura de açúcar. Nela se resgata a triste história do sobrinho de um senhor feudal que é morto por seu melhor amigo, o filho do imperador Carlos Magno. Do sonho para a realidade, a injustiça prevalece e os fracos perdem para os poderosos. Marca da aculturação que sofrem as histórias ao serem repassadas ao longe de suas raízes, faz-se necessário o recurso ao glossário para acompanhar as expressões da narrativa.

 

COSTA, Luís. “O mito da Enguia”.

Resenha: O autor, sacerdote e guerrilheiro pela independência de Timor, recupera um velho e esquecido mito de como as ilhas se separaram de Timor continental, na luta de uma enguia para se libertar da caça de seus perseguidores. De grande impacto e beleza, a narrativa ilustra para as novas gerações a formação física de seu território pela linguagem mítica.

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