Karingana wa Karingana

Mauricio Leite

Brasil

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(Karingana wa Karingana – Língua Changana – Era uma vez, ou uma maneira de pedir permissão para contar/Moçambique.)

Era em  Nova York, voltar a viver em Nova York, que eu pensava quando entrei no Palácio do Itamaraty naquela tarde no início do ano 2000. Fui para uma reunião no Departamento Cultural. Estava  muito bem recomendado pela  primeira dama do Brasil, a Professora Ruth Cardoso, para levar para Nova York uma belíssima exposição de brinquedos e objetos populares confeccionados com o talo da palmeira buriti, lá da Ilha do Bananal. Os brinquedos populares do Brasil e as Malas de Leitura foram criados para aquela região, onde eu ainda trabalho  com escolas rurais e indígenas. Os brinquedos e a Mala de Leitura sempre viajaram juntos.  E assim entrei no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A Mala de Leitura em uma mão e a caixa com brinquedos de buriti na outra, a caminho de Nova York, quase.

Até hoje me pergunto sobre o que teria acontecido em minha vida, se pelo menos uma vez eu não tivesse levado para a reunião a minha Mala de  Leitura, mas não podemos lutar contra a força daquilo que precisa acontecer. Seria bom que eu tivesse, só desta vez,  deixado a Mala em casa e levado só os brinquedos e as outras peças da exposição? O que teria acontecido? E foi assim que tudo aconteceu…

Eu já havia vivido em Nova York e meu desejo era voltar junto com a exposição. Era muito importante para mim. Eu estava no Brasil à procura de um suporte para levar a exposição para lá.  Falei com muita determinação e empolgação com a embaixadora chefe do Setor Cultural. Empenhei-me ao máximo na apresentação de algumas peças que comporiam o acervo da exposição a ser montada  no prédio das Nações Unidas em Manhattan.

A embaixadora chefe adorou tudo, disse que seria maravilhoso, que a exposição faria o maior sucesso, que as peças eram lindas. Eu já me via vivendo na efervescente ilha e sendo feliz para sempre. Vitória, vitória acabou a história! Deu tudo certo e eu estava muito mais do que feliz, afinal eu iria realizar um grande sonho. Eu não cabia em mim de tanto contentamento! Tinha vontade de rir, gargalhar, chorar, de quebrar o protocolo abraçar e beijar a embaixadora, correr pela Esplanada dos Ministérios em Brasília. Eu queria sair do Palácio o mais rápido possível, pois  precisava respirar o ar lá de fora, gritar, pensar e sentir o tudo de bom que iria acontecer em minha vida dali em diante. Minha cabeça estava longe, meu corpo e alma já andavam pelo Central Park a procura de galhos secos, a pensar onde arranjar tocos de madeira para pousar jacarés, tuiuiús, garças e brinquedos de buriti. O que levar do Brasil para a montagem da exposição?

Senti a felicidade a sair por todos os poros da minha pele. Meu corpo todo exalava felicidade. Quem me visse naquela hora iria ver o rosto de uma pessoa feliz e realizada.  Minha alma vagava fora e bem longe dalí. Foi difícil continuar naquela sala, que era bem grande quando eu lá entrei e que, de repente, tinha ficado pequena demais. Realmente eu não sabia mais o que pensar, experimentava uma sensação de quase flutuar. Perdido em divagações e em meio a tamanho êxtase, ouvia o barulho do trânsito de Nova York, voava sobre  o East River, revia meu apartamento na esquina da Broadway Street. Tive uma certa dificuldade em prestar atenção e entender o que a embaixadora me  perguntava. E, a pergunta que ela me fez  mudaria para sempre o rumo da minha vida pessoal e profissional  e me faria  não chegar (ainda) a Nova York com a minha tão sonhada exposição.

– E aquela mala azul tão simpática? O que é? Quantos selos de viagem! O que há dentro dela?

Ainda meio tonto e sem entender o porquê da pergunta, mostrei rápido e sem muita empolgação a Mala de Leitura. Expliquei que era um tipo de biblioteca itinerante com os mais  lindos livros e que viajava  por escolas da zona rural  e aldeias indígenas na parte amazônica do estado de Mato Grosso. A itinerância das Malas permitia diminuir custos e fazer o livro chegar a regiões distantes e isoladas.

Fechei a Mala e voltei, com toda carga de empolgação, à ida para Nova York. Mas, já era tarde. A mão do destino já tinha feito um novo desenho para minha vida. A embaixadora começou a ter lá suas idéias a respeito da Mala de Leitura.

– Explique melhor como funciona a Mala de Leitura, ela pediu.

Voltei a abrir a Mala, mostrar os livros encantadores, os fantoches, jogos, maquiagem teatral, música, histórias gravadas e todos os pequenos e deliciosos pedaços de poesia, ilusões, sonhos, fantasias e encantamentos relacionados aos prazeres da leitura. Por alguns instantes me esqueci de Nova York e me esmerei em apresentar para ela o que acho sei fazer de melhor: aproximar as pessoas dos encantamentos dos livros com os quais eu trabalho. Percebi nos olhos da senhora um brilho maior do que aquele olhar que ela tinha lançado sobre os brinquedos. Com os brinquedos e com a idéia da exposição ela se empolgou. Com a Mala de Leitura e com os livros ela se encantou, seus olhos brilharam como brilham os olhos das crianças ou de qualquer outra pessoa quando é tocada pela arte, pela beleza e singeleza de uma idéia simples e transformadora.

E mais perguntas vieram: qual era o custo de uma Mala, como eram as itinerâncias, quantas crianças poderiam ser atendidas por cada mala, e… ??? Em  cada pergunta feita, com muita empolgação, pela senhora embaixadora eu via minha passagem aérea para Nova York criar asas e sair voando para bem longe de mim. Ou melhor, voar em outra direção no mapa do mundo.

Tentei voltar ao assunto exposição, brinquedos e aves e animais do pantanal e nada mais adiantou, senti que minha vaquinha que iria para Nova York tinha ido para o mais profundo do brejo e por lá tinha se atolado até o pescoço.

– Maurício, ela disse, você não gostaria de ir fazer essas Malas de Leitura em Maputo?

Imaginem só o tamanho da minha cara de decepção, de pânico, de quase horror. Cara de quem já antevia que não iria mais para Nova York realizar o sonho de uma vida.

– Mas, Maputo fica na África, eu disse com uma clara decepção na voz, na cara no corpo e na alma.

– É que esta Mala de Leitura veio bem a calhar para um projeto de divulgação da CPLP ( Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que quase não tinha atividades direcionadas às crianças e jovens). Você faz a Mala de Leitura em Moçambique e depois faremos em Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde…

Ali naquela tarde, naquela sala do Itamaraty, naquela hora, começava a maior aventura da minha vida.

Como resistir a tão tentadora proposta com todos os tons e promessas de mudanças, viagens, um novo continente para conhecer e trabalhar, aventuras com pitadas de medo, sustos e também um montão de coisas boas a conhecer e a descobrir? E foi assim que iniciei uma grande e longa Aventura com a Leitura em África. Toda vez que eu  cruzo o oceano atlântico em direção ao  continente africano os sentimentos que tal aventura despertaram estão vivos em mim, pois, uma vez lá tendo vivido, saímos da África, mas ela nunca mais sairá de dentro de nós.

Vamos a Aventura.

 

Moçambique

 

Como o tempo passa rápido nas histórias, aqui estou embarcando para Moçambique, levando na bagagem dois mil e quatrocentos livros infantis para 40 Malas de Leitura. Como um rio que tem que cumprir seu curso e desaguar no mar, o rio da minha vida desaguou  no Oceano Índico, bem de frente para a ilha de Madagascar.

Levava nas mãos o livro Terra Sonâmbula de Mia Couto. Em cada página lida ia conhecendo um pouco das histórias e dos mistérios do continente africano, a beleza da cultura e da gente moçambicana. Tristes relatos da guerra, lindas mágicas e personagens  e cenários que logo eu iria conhecer. Algumas palavras  diferentes para mim: machimbombo, berma, maningue, canimambo. Ficou-me na memória a frase: “que a guerra é uma serpente que usa os nossos próprios dentes para nos morder”.  Vivendo por lá vamos sendo lentamente apresentados à África e seus mistérios, ou não! (canimambo – obrigado changana Moçamibique, machimbombo é ônibus, maningue é muito, berma, beira, berma da estrada.)

Visitei, trabalhei e vivi em alguns desses países em seu pós-guerra:  guerras coloniais, as lutas pela independência e novas guerras  para saber de quem seria o poder. Povos  lutando e defendendo e ferindo a terra, matando sua gente, expulsando pessoas,  separando famílias, esparramando minas terrestres e recrutando crianças para a luta. Nem os animais quiseram ficar por lá.

Vivi dois anos em Moçambique. Uma experiência rica e cheia de aventuras. Afinal, estamos em África! Trabalhei por aldeias e lugarejos distantes. Andei em parques naturais de elefantes, regiões com minas terrestres, praias desertas, savanas, florestas de imbondeiros (baobá). Sobrevoei o Saara e levei muitos, muitos baculejos da polícia local em busca de propinas. Como dizem por lá: “é para a gasosa, patrão!” (gasosa – refrigerante).

Nem lembro mais quantas vezes fui parado, detido e até seqüestrado pela polícia e duas vezes preso. No mercado do Roque Santeiro (era o maior mercado a céu aberto em Luanda, o nome vem da telenovela brasileira que era apresentada lá na época em surgiu o Roque, como era conhecido), o policial achou que eu estava a vender mercadorias ilegais. “O que levas aí nessa Mala?”  Eu disse que levava livros. “E o que é isso de livros?” E lá fui eu para a esquadra policial. Ligo para a embaixada do Brasil e alguém vem me soltar. Isso no caso da prisão. No caso de seqüestros e assaltos tive que me virar sozinho, sendo muito criativo e não demonstrando medo. Jamais!

Trabalhei nos oito distritos de Maputo, uns bem longe da capital como o distrito de Namaacha que faz divisa com a Suazilândia e a África do Sul.  Na primeira etapa, implantamos 80 Malas de Leitura nos distritos da Província de Maputo. Trabalhei para cooperações portuguesa, canadiana, francesa, holandesa, finlandesa e muitas africanas, como a Direção Provincial de Educação de Maputo. Biblioteca Nacional, Ministério da Cultura da Educação, todos ligados aos governos locais.

 

Cabo Verde

 

Saída de Brasília para São Paulo, de lá para Lisboa (caí de amores pela cidade). De Lisboa voei para a Ilha de Sal e depois para a Ilha de Santiago em  Praia, a capital, onde fica a Embaixada do Brasil. Voltar para a Ilha de Sal, embarcar para Ilha de São Vicente ( a terra onde Deus esparramou  a sua alegria) e uma travessia de barco para a Ilha de Santo Antão, onde me esperariam para  chegar  do outro lado da ilha,  na Ribeira Grande.

O barco chegou e partiu e eu fiquei sozinho na praia a espera de que me viessem buscar. Não vieram. Duas longas horas de espera. Praia de negras pedras vulcânicas. Enterrei minha bagagem nas pedras, minha mala, a Mala de Leitura, e mais uma sacola com livros. Enterrados os tesouros, marcando  no céu, na terra e no ar a localização e de costas para o mar pensei: para que lado seguir? Direita ou esquerda? Atrás o mar e à frente uma enorme montanha. Senti o vento, segui pela direita e acertei, pois estava a sair de um posto da capitania dos portos o senhor que era o seu  diretor.

Por poucos minutos eu já não o encontraria lá no posto. Contei para ele que eu deveria ir lá para o outro lado, para a Ribeira Grande. Ele me levou de carro até  onde minha bagagem estava enterrada e seguimos para a casa de um vereador amigo dele que ligou para o Senhor da Ribeira Grande, dizendo que estava ali o professor brasileiro das Malas de Leitura. Ouviu a seguinte resposta: “Ê pá, mas então  não era amanhã que chegava o gajo professor? Julgava que fosse amanhã. Veja lá amigo, mande lá o professor para cá, se faz favor.”

Tudo resolvido? Claro que não! Era um sábado e a Câmara Municipal estava fechada. O senhor vereador ligou para outro senhor, responsável pelos transportes, e pediu uma viatura para levar o professor para o outro lado. Conseguimos o carro. Agora temos que conseguir um motorista. Liga para um e outro e finalmente conseguimos um que me levasse para o outro lado da ilha. Carro e motorista. Tudo certo? Não! Agora temos que ligar para o outro senhor que conseguirá uma requisição para o gasóleo. Já temos combustível. Vamos? Ainda não. O motorista: “não quero voltar sozinho, vamos à casa do meu primo buscá-lo  para me fazer companhia”. O primo não estava em casa. Estava a pescar na praia. Manda o filho ir buscar o pai e finalmente embarcamos rumo à Ribeira Grande.

Lá muito em cima, nas montanhas há uma passagem chamada “Delgadinho”. Estreita e emocionante como nos filmes de aventura. E  do alto, muito, muito alto, ver e sentir, não sem um pouco de medo, desabar sobre nós as maiores nuvens em formas de altas ondas como  nos  engolindo. Lá, bem nas alturas, sendo tocado por nuvens,  pensei: valeu à pena toda a longa viagem feita até aqui.

Na implantação das Malas de Leitura com os professores, o clima foi de festa e alegria, como é tudo por lá, com aquela gente  tão de bem com a vida. Acompanhei  as Malas subindo, carregadas por mulas, até as escolas localizadas em regiões nas encostas das montanhas da maravilhosa Ilha de Santo Antão. Nessas escolas, nas alturas, os professores e os alunos receberam os mais encantadores livros. Lá embaixo, bem longe, até onde o olhar alcança, a imensidão do oceano atlântico cercando de beleza aquela ilha maravilhosa do arquipélago de Cabo Verde.

 

Angola

 

Em Kibala, Angola , estive várias tardes sentado no barranco na berma da estrada a conversar com Dona Vitória Bimba. Ela falava em kimbundo, eu em português e o filho dela, Sr. Domingos, traduzia em português angolano com acento lá do Kuanza Sul. Falávamos de tudo: da guerra, dos tempos de antes da guerra.

Quando perguntei quantos anos ela tinha, Dona Vitória não soube me dizer. Ela me contou que,  no tempo  antes da guerra,  na casa de seu pai, se  amarrava uma cordinha no teto. Pela época do Natal, dava-se um nó na corda para marcar que mais um ano se havia passado. Daí ela me disse, olhando bem nos olhos: “há muito tempo minha cordinha se perdeu”. Pausa. Silêncio. Vontade de abraçar aquela senhora, aquela Mamã África e pedir perdão, pedir desculpas, por todo mal que a guerra causou em em sua vida.

Dona Vitória vinha enrolada em seus panos coloridos e entre os panos da roupa ia acomodando latinhas coloridas e pequenas garrafas que encontrava nos caminhos. Vinha, ao fim da tarde, para o nosso encontro não marcado. Curvada sobre seu cajado, passos pequenos e silenciosos. Contava-me histórias das pessoas de lá da sua terra. Sei que não voltarei a me encontrar com minha amiga Dona Vitória Bimba , que o tempo da sua cordinha da vida, a esta altura, já pode ter dado seu último nó. Ficou a lembrança do seu carinho por mim e das nossas longas conversas naquelas tardes em pleno coração de Angola.

 

    *

           

Andei bué longe, pela Província do Moxico, no Cazombo, perto da Zâmbia e do Congo. Por lá não há luz elétrica, usavamos a internet com energia solar do Padre Lopes que só funciona de vez em quando. Andei pelas mais distantes escolas com minha Mala de Leitura. O incrível é que as crianças falavam pouquíssimo português, falam a língua Luvale, e mesmo assim conseguíamos um bom entendimento. Os livros falavam por si, a força da palavra escrita e deslumbramento das imagens me ajudavam a transpor as barreiras da língua.  O difícil era fazer com que as crianças se acostumassem comigo. A maioria fugia correndo por nunca terem visto um branco. Ficavam nervosas. Minha presença fez com que se lembrassem das terríveis histórias dos brancos maus. Logo depois elas percebiam que eu não era um “daqueles” brancos maus. Eu era  o branco Mau…rício, aquele dos livros que elas tanto gostavam.

Uma vez, viajei três dias pela chana (uma região pantanosa) angolana, numa perigosa região de desminagem. Em tempos de chuvas, na chana, nossa rotina era a de sair de um atoleiro e cair em outro e em outro, e assim passávamos  2, 3, 4 dias. Aproveitava sempre para me divertir e  pensar: alguns pagam caro por uma aventura como essa – um Raly!  Empurrar o carro, levar barro na cara, carregar madeira, abaixar, levantar , sacodir, cansar, desistir, voltar a empurrar o carro … e chegar ao destino com as Malas de Leitura.

Figura 1

Figura 1

Quando tudo dava errado, o carro atolava demais. A gente se cansava, chovia, à volta do carro os nada simpáticos crocodilos, mosquitos, campo minado e no meio do desespero, assim do nada,  apareciam as menores e mais lindas aves do paraíso nunca antes vistas por mim. Tantas aves, tão pequenas, coloridas, delicadas. Era parecido com um milagre, ou com estar diante de  pequenas  e coloridas fadas. Depois do milagre das aves, mais barro, mais empurra, puxa, atola, desatola, cansaço físico, fome, sede, vontade de parar e, de repente, via-se  surgir o maior e mais belo arco-íris da terra sobre nossas cabeças: o esplendor do céu se mostrando para nós.

Em uma dessas ocasiões em que atolamos irremediavelmente, o barulho do carro atraiu crianças que viviam em aldeias próximas. Não falavam português. Não havia planos de sair dalí até que a sorte nos mandasse um caminhão para nos tirar do atoleiro.  Então, abri a Mala de Leitura e … me tornei, para os olhos infantis, um deus, um mágico, um ser diferente de todo adulto e de todo branco que eles já haviam visto. Tornaram-se meus seguidores, caminhamos pelas estradas sem fim, cada um disputando com o outro quem é que ia segurar a minha mão.

Desta vez choveu tanto que a estrada ficou toda coberta de água. Já não havia estrada para voltar. Fui apresentado a Rainha Nhacatolo, soberana do povo Luvale, que conseguiu enviar uma mensagem para Luanda e um helicóptero da polícia me deu uma boleia(carona)  para Luena , capital da  província de Moxico.

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Desconsigo me esquecer daquele menino a quem nem tive tempo de perguntar o nome, naquela manhã em que fui a uma escola bué distante, numa aldeia lá no Kuanza Sul em Angola, para ler histórias.

A sala estava cheia de crianças e adultos, gente nas janelas,  outros sentadas no chão de terra. Havia  um menino que não queria entrar na sala, aparecia na porta e, quando eu  o convidava para entrar, sorria e fugia. Fui lá fora falar com ele, insistindo para que entrasse. Disse-me que jamais entraria naquela sala. Nunca. Eu perguntei o porquê e o menino disse: “então espreite  atrás da porta”. Fui lá e vi, atrás da porta, compridas varas que  eram usadas nas crianças. Sai novamente e disse que ele poderia entrar, que ninguém bateria nele, pelo menos enquanto eu estivesse ali, que  era meu convidado e que eu cuidaria dele, pedi que confiasse em mim.  Ele, então,  me pediu: “quebre todas as varas e eu entrarei”.

Pedi licença ao professor e disse que para aquela minha atividade não usaríamos aquelas varas. Meu convidado entrou, sentou-se no chão bem a minha frente e divertiu-se com a sessão de leitura. Logo que terminaram as leituras ele saiu primeiro do que os outros e lá de fora  me acenou sorrindo e eu não pude saber quem ele era. Despareceu na estrada. Ficou na minha cabeça, no meu coração o prazer de ter conhecido uma  criança que tinha um lindo sorriso e que, apesar da pouca idade, caminhava pela vida com coragem e doçura

 

  *

Em frente a um grande prédio de apartamentos, lá embaixo na rua em que eu morava em Luanda, havia um “contentor”  de lixo onde eu era assaltado, todos os dias, pela “malta” que por ali vivia a procura de algumas sobras para comer.

Cansado de ser assaltado fui lá falar com o chefe dos garotos. Expliquei quem eu era e o que fazia e tive a palavra dele de que nada me aconteceria. Peguei a Mala de Leitura, sentei-me na calçada, rodeado de meninos e, em meio ao lixo, li histórias para eles. Daí em diante, passei à categoria de o rei da rua.  Todos sabiam meu nome e me admiravam pelo que eu fazia e pelos lindos livros que compartilhei com eles. Bons momentos que passamos juntos

*

Numa escola muito distante no Waku Kungo, as crianças correram apavoradas quando me viram. Elas não conheciam boas histórias de brancos. Quando um branco entrou na escola, foi uma grande correria. O homem branco mau, o branco que corta cabeça de crianças estava ali na frente delas e o pânico se instalou. Fugiam, corriam, choravam … Ninguém por lá tinha boas lembranças de pessoas brancas. Era difícil e delicado o processo de aproximação. Eu jogava “rebuçados” pelos caminhos e ficava ali com um livro aberto na mão.

Figura 2

Figura 2

 

Junto comigo ficavam alguns adultos que diziam, em kimbundo, que eu era amigo e que tinha coisas bonitas para mostrar. Dias depois, quando já estavam acostumadas comigo,  as crianças começaram a se aproximar, mas se assustavam  com qualquer gesto brusco que eu fizesse e, assustadas, saíam  correndo de novo.

Depois, já bem acostumadas, sabendo que não corriam riscos e atraídas pelos livros, sentavam-se bem perto de mim. Algumas me tocavam, cuspiam em suas mãos e passavam as mãos úmidas sobre a minha, para ver se eu não estava coberto de tinta branca. Tinham esperança de que eu fosse um negro pintado de branco.

Será que elas ficaram com o sentimento de que, apesar de branco,  eu era um amigo, levando os mais lindos livros para elas? Será que se  lembram de mim ainda? Algumas  delas agora são jovens e outras já mães e pais de família. O que será que ficou na memória daquelas crianças sobre o nosso encontro? Gostaria de um dia lá voltar.

                                                                                        

*

 

Certa vez, recolhi com os amigos em Portugal várias de meias velhas, algumas furadas. A idéia era usá-las para confeccionar fantoches para o trabalho com as Malas de Leitura lá no Kazombo/Angola.

Estava já em Angola, trabalhando nas meias-fantoches, quando um menino, já quase rapaz,  que não falava português chegou na janela e me chamou através de sinais. Ele apontou para as meias sobre a mesa, passou a mão pelos pés com se calçasse um sapato e, de novo, olhou para as meias me fazendo um pedido com o olhar.

Ele nunca tinha usado um sapato em sua vida.  Vivia ali  junto com as irmãs da missão, aparecera por lá um dia. Pedi, também, com sinais para ele entrar e escolher o que quisesse, ofereci-lhe um par com cores parecidas. Ele escolheu um par com cores e tamanhos desencontrados: uma azul pequena e outra vermelha comprida, e saiu feliz da vida a desfilar pela aldeia os seus sapatos.

Depois vieram outros meninos e meninas e lá se foram as meias em um desfile colorido. Não houve boneco, mas houve muita criança feliz com o seu primeiro calçado. Orgulhosas, felizes e sorridentes.

Quando eu fotografei o primeiro menino a quem eu havia oferecido as meias e mostrei-lhe a foto, ele  sorriu e disse: “Sozinho”! Ele se viu, sorriu e falou seu nome: Sozinho. E assim ele era, sem família, sem ninguém… ficamos amigos e fazíamos muitas caminhadas pela aldeia. Ele pouco falava e pouco entendia o português, muito menos o português do Brasil. Mas  a língua não foi barreira para o nascimento de uma grande amizade . Sozinho!

 

 

*

 

Depois de tantas aventuras, depois de tantas experiências que carregerei como presentes para toda a vida,  Angola me reservava  mais um mimo. Através do governo de Angola, da Biblioteca Nacional, fui indicado cinco vezes consecutivas ao prêmio Alma (www.alma.se). Não sem antes lidar com um plágio do meu trabalho praticado por importante (?) universidade brasileira e que me dificultou muito a vida junto ao Alma. A parte boa é que minha última indicação foi feita pelo boarding do prêmio.

 

São Tomé e Príncipe

 

Da janela do avião conseguia ver  os mais de setenta tons de azuis e verdes do mar  de águas transparentes de São Tomé. Nascia no peito  uma imensa sensação de alegria de estar vivo, de ter saído das águas dos rios e das lagoas do pantanal para  mergulhar em uma ilha na costa africana em meio ao atlântico. E ainda chamavam a isso de trabalho!

Fiquei muito feliz  de estar em São Tomé e Príncipe quando da reabertura do cinema, que ficara fechado por longos anos de guerra e do pós-guerra.  Pude presenciar a alegria  da descoberta dos jovens que nunca tinham visto um filme. Em cartaz Elizabeth, mas não interessava o filme, nem a legenda ou a história. O que contava era a emoção da sala às escuras, das imagens coloridas e em movimento na grande tela do lindo cinema.

As delícias de São Tomé:  assistir a reinauguração do cinema e, gostosura maior da vida,  conhecer  uma fábrica de chocolate. Ficamos zonzos, inebriados desde a entrada, mareados, levados pelos cheiros e sabores dos mais deliciosos e sofisticados chocolates artesanais que são exportados para várias partes do mundo.

Oficinas para professores, Malas de Leitura e visitas às escolas  nas tradicionais roças de cacau. Li histórias para centenas de crianças. E a magia se repetia: era seguido o tempo todo por crianças que perguntavam sobre a Mala e seus livros.

 

 

Um balanço da experiência na África

 

Desfiei essas memórias para escrever sobre promoção de leitura em África. Acontece que não vejo diferença entre promover leitura por aqui ou por lá. O que temos em comum com a África é o baixo nível de leitura das nossas crianças, da nossa população e, sempre, quando me pedem para contar histórias sobre a África, conto sobre as coisas boas e as belas pessoas que por lá conheci. Nós do Brasil, infelizmente, não precisamos importar tragédias e histórias tristes de ninguém e de nenhum país

Comparo o meu trabalho com o trabalho de qualquer outro profissional. Um piloto de avião, um cirurgião, um gari, uma passadeira, ou cozinheira. Se o trabalho desses profissionais não for bem feito, percebe-se na hora. E os efeitos não são nada agradáveis.  Isso ocorre também quando a pessoa não tem acesso ao mundo dos livros e da leitura. Aí também os efeitos não são nada agradáveis. Desastrosos.

Então há um segredo? Sim, há um grande segredo que me foi revelado e ensinado pelos meus mestres, principalmente pela Professora Francisca Nóbrega: “dar o livro certo para a pessoa certa na hora certa”. Uma Grande mestra. Um grande ensinamento. E uma difícil tarefa de ser executada.

O segredo reside na qualidade do acervo com o qual iremos trabalhar. O que comprar? Sim, comprar. Nada de doações inadequadas e livros usados. Só compro livros novos, bons, bonitos, encantadores, diferentes, de várias partes do mundo e de preferência ainda dentro do plástico e tudo cheirando a novinho. No caso da África, e conhecendo a realidade local – crianças sem famílias, abrigos para órfãos, escolas de aldeias distantes habitadas por famílias separadas pela guerra, país em reconstrução e lá, também como aqui, governo e governantes milionários a custa da miséria do povo – a prática de adquirir livros novos se tornou ainda mais imperiosa. A dificuldade maior estava em o que comprar e o que não comprar? O que eu vou levar para o Sozinho, o menino das meias,  ler?

É uma grande e desafiadora tarefa compor um acervo não genérico seja para índios, negros, brancos, amazônicos, urbanos…  O segredo está em equilibrar, como numa alimentação balanceada, o que vamos oferecer aos jovens leitores. Como nos ensinou uma vez Sylvia Orthof:  “o livro é o pão do cérebro”. A parte sagrada é a de repartir o pão. O desafio é o de formar leitores para a vida toda. O que torna tudo um trabalho muito delicado onde todo cuidado é pouco. Está mãos do mediador de leitura uma grande responsabilidade como a de se aproximar de pássaros sem que eles voem para longe .

Uma vez cumprida a etapa de seleção do acervo com a ajuda de deuses, mortais e editoras, distribuidores e livreiros, alfândegas, colocamos todos os livros dentro das Mágicas Malas de Leitura e saímos por aí a conquistar leitores. Andando por aqui e por alí a repartir o pão!

A orientação do Itamaraty, com relação ao trabalho na África, foi sempre  a de  procurar parcerias locais, de tentar que o trabalho proposto pelo Brasil  fosse absorvido pelos países por onde estive a trabalhar com as Malas de Leitura. E assim aconteceu. Muito mais em Angola e em Moçambique, Cabo Verde e Portugal onde ainda trabalho com certa freqüência.

Numa das tantas viagens para África, desta vez para  Cabo Verde, aconteceu outra situação que ajudaria a mudar ainda mais  o curso da minha trajetória profissional e pessoal. Conheci Lisboa. Ou melhor, Lis(ótima)boa. Fiz de Portugal a minha base para o trabalho em África. Encantei-me com a cidade, com o país, com sua história – que é também parte da nossa história. Implantei as Malas de Leitura em Portugal. O maior tesouro de Portugal é o povo português. Amo estar lá. No momento em que escrevo este texto estou em Brasília e fazendo malas para mais uma temporada portuguesa de trabalhos. Hoje tenho várias casas, várias pátrias e várias maneiras de falar português.

Dizem que somos irmãos de língua, criaram instituições entre os países de língua portuguesa, muitas instituições oficiais para aproximação dos irmãos de língua, de cultura. Tente tirar um visto para Angola e você saberá o sentido da palavra difícil. Para levar livros de um país para o outro, as taxas são tão altas. Se paga aqui, paga-se lá. O que faz o preço do livro ficar inviável. Numa dessas alfândegas, em África, uma vez subtraíram-me mais de 400 livros e mais quatro Malas de Leitura. Fico pensando: será que pelo menos alguma criança leu algum dos livros roubados?

Comecei meu caminho para África buscando uma rota para Nova York. Há sempre um chamado para tudo, seja para o que for ou para onde for. Mas, se for um chamado de Mama África, sempre será mais forte e ela se fará ouvir esteja você onde estiver. Para mim,  os primeiros chamados vieram no momento em que me neguei veemente  a embarcar para lá.

O que me emociona, e sempre me toca e me faz continuar acreditando no que faço, é a avidez e alegria com que eles recebem aos livros. As leituras jorram como água pura e cristalina e fresca. Água que sacia que alimenta que Refresca a vida e ilumina a alma. Vê-se isso no brilho dos olhos, nos sorrisos de prazer e na pergunta: há mais livros? Lá em Angola  sempre  dançávamos em torno das Malas de Leitura e cantávamos, em línguas locais,  cantigas com bons presságios e boa sorte para o caminho que elas iriam percorrer

Nas sessões de leitura algumas crianças caiam num sono profundo, exaustas, um pós- emoção muito forte com os brinquedos a caixinha de música, os fantoches, a beleza dos livros compartilhados. Era muita emoção para suportar acordado.

Acabei me tornando numa atração local, as mesmas crianças que no início fugiam de mim por temer o homem branco partilhavam comigo seus brinquedos de lata, jogos, brincadeiras, cantos e sorrisos. Por onde andei nas aldeias era seguido por uma legião de crianças. Eu era o branco dos livros, da Mala de Leitura. O homem que tinha o poder mágico de encantar com livros. Encantava-me ver de mão em mão, de professores e de alunos,  os livros Se as coisas fossem mãe da nossa amada Sylvia Orthof. Sylvia em África Orthofiando  histórias em muitos corações. Emocionava-me ao  ouvir as histórias das tantas  crianças que sonharam com os contos de Marina Colasanti. Sonhos  com unicórnios. Imagina um cavalo com chifre de marfim! É mesmo para sonhar!

O que eu ganhei? O que aprendi foi sempre mais do que ensinei, e bem mais ainda o que recebi em troca das histórias: sorrisos e abraços. Só ganhei. Tudo eu ganhei. Ampliei meu repertório nessa nossa linda língua portuguesa daqui e de lá. Sou, hoje, muito mais que bilíngüe em língua portuguesa. Consigo me comunicar falando e escrevendo com angolanos, moçambicanos ou portugueses. Passei a conhecer e usar gírias, palavras locais e ditas em  línguas locais. Adoro a palavra zungar. Aliás, foi o que mais fiz em Luanda. Zunguei a cidade toda a pé. De lés a lés. (Zungar, caminhar, andar muito, lés a lês de ponta a ponta. Andei Angola de ponta a ponta)

Fica difícil falar em promoção de leitura pelos países de língua portuguesa sem falar das pessoas, das crianças que me seguiam pela estrada quando eu deixava a aldeia, vinham a correr  atrás do carro, umas chorando, outras sorrindo e pedindo: Maurício, histórias… Maurício histórias… Eu pedia para o motorista conduzir devagar. Depois pedia para parar. Daí eu descia do carro com a Mala de Leitura, procurava uma sombra  e lia muitos livros. Despedia-me delas pela décima vez, elas prometiam voltar para a aldeia, mas, mal o carro arrancava, lá vinham elas a correr: Maurício, histórias. Elas pediam histórias dos livros pelo nome: Pé de pato, A Casa Sonolenta, Elefante? O Saco, A Banana Vaidosa, Construindo um sonho, Menina bonita do laço de fita … Depois de alguns quilômetros eu as colocava no carro as levava de volta a aldeia para tudo recomeçar: Maurício, histórias …

Figura 3

Figura 3

 

Gostaria de contar daquele Senhor que vivia em um farol, numa outra pequena ilha perto da Ilha de Santiago e para passar o tempo consertava  relógios antigos. O Senhor do Tempo lá do farol contou-me lindas histórias das terras de lá. Histórias de mar, navios, naufrágios, de piratas famosos que por lá passaram.  Do outro senhor que conheci na ilha da Santa Antão, também em Cabo Verde, ele andava pelas praias da ilha a procura de restos de redes de pesca, enrolava cada fio que encontrava e depois vendia aos pequenos pescadores.

Queria falar da Melita, lá de Maputo , que trabalhava na casa de uma amiga italiana, a Mirella que cuidava muito bem dela. Uma cuidava muito bem da outra. A Melita levava para casa as embalagens vazias para enfeitar suas prateleiras e para mostrar para as amigas lindas latas e caixas com nomes de produtos: bolacha, cereal, latas de leite. E dava um lindo sorriso.

Falar da vez em que vi um Pai Natal (papai Noel) negro, com o rosto pintado de branco com luvas brancas a se passar por um homem branco em frente a uma loja de brinquedos  na cidade de Maputo.  Da vez em que fui com um grupo de amigos comemorar o Natal em um  abrigo,  mantido pelas freiras da congregação de Madre Tereza de Calcutá em Maputo. Todos estavam lá por razões muito tristes que prefiro não comentar.  Bebezinhos,  crianças, jovens e adultos, cuidados com o maior carinho pelas irmãs. Estávamos lá para levar alegria, ler histórias entregar carinhos e prendinhas em formas brinquedos, fazer companhia, lanchar com elas, sentar no chão, dar abraços, brincar de casinha, fazer estradinhas de areia e, no fim do dia, trazer no coração um misto de alegria e tristezas que jamais sairão da alma e da lembrança.

Contar daquela senhora  que tinha seu pequeno negócio de pequenas coisas em uma esquina de Maputo. Estendia sua capulana (pano africano muito usado pelas mulheres) na calçada e lá colocava garrafas vazias, sapatos velhos ( apenas um pé ), algumas roupas da ajuda internacional, latas de conservas para serem usadas como panelas e copos.

Sou do tipo teimoso.  Muito teimoso. Teimo, brigo berro, esperneio e luto com muita coragem pelas causas em que acredito. E acredito profundamente no poder e na força da educação e da cultura para se mudar uma vida para melhor.  Aprendi com D. Pedro Casáldaliga, duas palavras que quando faladas juntas tornaram-se meu  lema de vida: Teimosia e Esperança. E assim tem sido minha vida. O sonho de voltar a viver em Nova York me levou ao continente Africano, me levou para península Ibérica, todas as Ilhas Canárias e diversas regiões da Espanha e para tantos outros lugares do mundo. Depois de Moçambique, Angola foi o país onde mais trabalhei e de vez em quando ainda trabalho. Uma cooperação de trabalhos para África é muito demorada e conseguir tirar um visto para Angola é uma missão reservada somente para os fortes. E teimosos.

Os livros e a leitura mudaram os rumos da minha vida. Fiz a Mala de Leitura e ela me levou a viajar pelo mundo. Teimosia e Esperança! Eu recomendo.

Estive em lugares muito tristes, vi coisas que eu não gostaria de ter visto, ouvi histórias que não queria ter ouvido. Há coisas que não se revelam. Eu nem sei o que fazer com essas histórias. Prefiro falar dos lugares e das pessoas que conheci, lembrando os sorrisos que  brotaram em cada rosto a cada livro lido.

Termino aqui este relato de um educador social que escolheu estar ao lado de quem precisa dos meus serviços, do homem que leva livros e leituras. Toco meu trabalho como uma loja das pequenas coisas, como a daquela senhora lá da esquina de Maputo: um pé de sapato, um pé de meia, uma lata… Há sempre quem queira ou precise.

Nesse momento em que escrevo aqui estas memórias, tudo me volta ao coração e à lembrança. Muitas vezes tenho que parar de escrever. Fico aqui pensando nessas crianças, o que teria acontecido com elas? Nunca volto ao mesmo lugar, sempre ando por outras províncias, em outros países, levando livros e encantamentos para vidas tão pequenas, tão frágeis. Sinto-me guiado por todos aqueles olhos que sorriram para mim para os livros e para as histórias. Ouço suas vozes … Maurício, histórias

Estamos Juntos África.

Lisboa –  verão de 2018.

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