Editar em Moçambique – uma profissão de fé

Teresa Noronha

Moçambique

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Previamente, antes de tecermos outras considerações, é preciso lembrar que se nos outros países de língua portuguesa de maior desenvolvimento económico, social e cultural o livro infantil que o pai lê ao filho não levanta muitos problemas de vocabulário ou atritos em relação à  sintaxe, tal não ocorre em Moçambique.

Quando Moçambique se tornou independente, havia 90% de analfabetismo, tendo esta percentagem sido actualmente reduzida para 50%, mas a presença de iliteracia entre estes falantes de português é calamitosa.

Em Moçambique temos pelo menos 14 línguas, algumas delas com raízes semânticas comuns e que se entendem entre si: Makwua, yao, nuanja, lonwe, chuwabo, Manuica, Tewe, Sena, Nyungwe, tshwa, Tonga, Chopi, Ronga e Changana. Estas línguas encerram em si memórias coletivas de um passado que não pode ser negado e uma carga emocional, política e de vivência que é estruturante e de que é impossível fazer tábua rasa sob a bandeira de uma língua oficial – que é o português – que embora funcione sobretudo nas cidades, deixa de fora toda a matriz identitária de milhões de pessoas.

Isto é uma questão que ainda não foi resolvida.

Basta pensar na desvantagem que tal representa no que toca à escolarização: antes de acederem à escola, a maioria das crianças, sobretudo nas zonas rurais, nunca teve qualquer contacto com a língua poruguesa. Nas zonas urbanas e periurbanas este contacto com a LP já existe, mas tem sérias limitações no que se refere ao seu uso e ao domínio intrínseco da mesma.

Na maior parte dos casos o utente moçambicano da língua portuguesa só se apropria de alguns níveis dessa língua oficial, reduzindo-a à sua função pragmática.

Como disse António Cabrita, num texto sobre estas questões,

verifica-se um desajuste entre o contexto do coração e a língua do ensino. Só o contexto nos dá a língua, com as suas múltiplas virtualidades, só o contexto arranca o denotativo à sua suficiência e inocula de ambivalências a linguagem, com a sua riqueza lúdica, os seus paradoxos, jogos e redundâncias. Só por esse jogo de retroactividade é que se desencadeia o processamento  cognitivo e a modelização da memória. A língua portuguesa em Moçambique, a que é usada maioiritariamente pelos alunos, é um instrumento truncado, que não alcança outros níveis de significação, inclusive a da ironia. Nem alcança sequer os níveis do afecto. Fora as grandes cidades, ainda não se namora em português, em Moçambique.[i]

Com isto deduza-se, acertadamente, que a LP não tem ainda a sua devida inscrição no magma do imaginário moçambicano, mercê do  qual o individuo possa conquistar autonomia e sentido para a sua existência, a partir das narrativas nessa língua.

Acresça-se a este problema outra evidência, Moçambique ainda é um país de predominância oral, não apenas por inerência cultural ou das mentalidades mas igualmente devido a uma deficiência estrutural: por causa da guerra civil, Moçambique esteve 19 anos sem receber literalmente um livro.

Todas as cadeias de distribuição foram destruídas com a guerra e ainda não foram repostas. Existem 6 livrarias no país, todas na capital. Más livrarias, livrarias de best-sellers que não servem um leitor especializado. As bibliotecas são raras e desactualizadíssimas, quando não foram desmobilizadas. É frequente um aluno que venha das províncias chegar à universidade sem nunca ter visto um livro físico, o que claramente não o habitua à leitura.  Quando houve contacto com o livro deu-se unicamente através da escola e na sua maioria restringe-se ao livro escolar. A edição em Moçambique restringiu-se durante muitos anos ao trabalho editorial da Associação de Escritores, depois à Imprensa Universitária e só nos anos 90 surgiram algumas editoras independentes, como a Ndjira (agora comprada pelo grupo Leya), a Escolar Editora, a Plural Editora (grupo Porto Editora), a Alcance, e outras pequenas editoras que ousadamente se lançam no mercado e entre as quais nos incluímos.

As bibliotecas escolares e municipais têm pouca expressividade, tanto pela falta de livros como de recursos humanos que façam “viver” os poucos livros que poderiam estar acessíveis aos jovens nas escolas e nos municípios.

Por isso não admira que, quando saímos 50 km de Maputo para o interior, se detectem sérios problemas de comunicação ao tentarmos fazer uso da LP como língua de comunicação. O nível da comunicação reduz-se ao mais elementar e ainda assim é vulgar que se instalem muitos mal-entendidos nas coisas mais simples.

Neste contexto muito desordenado e muito desfavorável, o conceito de Lusofonia aplicado a Moçambique, para definir o conjunto de falantes que usam como código linguístico o português para estabelecerem um acto comunicativo, é claramente abusivo, ou soa a imposição política e neo-colonial, e havia que compreender as resistências moçambicanas em relação a esta designação. Nunca foi feito este esforço e os políticos portugueses que visitam o território moçambicano têm mostrado não fazer o seu trabalho de casa. O uso do português como língua oficial em Moçambique foi um estratagema para consolidar a unificação nacional mas não se sente a mesma como herança do colono, dado que o esforço para difusão da língua foi integralmente assumida já pelo país independente. Compreender isto de uma vez por toda era vital, pelo menos para se reconhecer o que ainda há por fazer.

Por isso o académico Lourenço do Rosário na sua comunicação ao IV Simposium de Língua Porguesa realizado em 2008 na Escola Porguguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Porguesa, atribui ao conceito de Lusofonia uma sombra ideológica carregada de ambivalências por esclarecer e eivada de preconceitos mútuos, ligados a uma história de dominação que ainda carregamos às costas, e esclarece que os códigos da língua portuguesa em Moçambique são muitas vezes distintos, pelo que as mesmas palavras significam muitas vezes outras coisas, para além de ser diversa a sintaxe, pelo que interroga:

(…) sendo os países africanos, na sua generalidade, incluindo os de língua oficial poruguesa, de origem colonial, mas com uma realidade socio-cultural bipolar pela natureza da diversidade etno-linguistica, com que legitimidade os poderemos designar de lusófonos? Se formos pela via da língua ou pela via da cultura, termos vastos segmentos que ficarão subtraídos desse desiderato, extraindo disso a natureza parcial que o conceito referencia. Se formos pelas razões de aproximação com as outras duas comunidades, teremos um panorama falacioso, pois, e felizmente para nós, Portugal não constuiu nem esboçou qualquer estratégia necocolonial para continuar nas ex-colónias.[ii]

A academia tem sido mais prudente que os políticos e daí que o doutor Fernando Crisvovão tenha insistido na ideia de que uma república baseada na língua não deve ignorar a diversidade étnica e linguistica.

O ensino de português, até para atingir níveis performáticos mais extensivos e se tornar uma língua de desejo (visto que na actual realidade social já é a língua mais valorizada socialmente), devia começar por ser ensinado como língua segunda, sobretudo nas zonas rurais, e o seu ensino ser acompanhado de noções sobre o que significa a unidade da língua comum no seu sistema global lusófono e sobre o que são as suas legítimas e enriquecedoras variantes.

Em consequência, e para que isso fosse uma realidade, havia conveniência em os textos de apoio à aprendizagem serem escolhidos dentre os dois tipos de uso da língua: maioritariamente dos textos literários dos escritores do país, complementados depois por textos de outras literaturas noutros ramos da língua portuguesa, de outros países.

Com a língua deve viajar o livro, é imperdoável que uns e outros não se conheçam no seu patromínio literário específico. E aqui reforço o enorme desconhecimento mútuo que existe entre os falantes da mesma língua das literaturas específicas de cada parte deste universo que partilha uma matriz linguística comum.

Mesmo os detentores do Prémio Camões são muitas vezes desconhecidos noutros países fora do seu contexto. Contam-se pelos dedos de uma mão os leitores que em Moçambique conhecem Raduan Nassar, o último Prémio Camões, e não se encontra um único livro seu em nenhuma livraria. Em 2001 tive em Portugal uma pequena editora com o meu marido, o escritor António Cabrita, e fomos ao Brasil tentar arranjar parcerias. A Maria Velho da Costa, que havia escrito um livro com o meu marido sobre o Camilo Castelo Branco que nós publicámos, acabara de ter sido agraciada com o Prémio Camões. Aproveitámos a oportunidade para tentarmos ser agentes dela junto da dúzia de editoras com quem contactámos. Não havia um único dos editores que a conhecesse. O Prémio não passa das embaixadas para a realidade do mercado.

Se, entretanto, algum do conhecimento das literaturas de LP já começa a ser difundido nas universidades (e muito timidamente ainda), a Lusofonia, para ser um operador factível, devia ser um patrimínio comum espalhado por toda a população.

A Lusofonia devia acrescentar, não pode ser simplesmente um mito, uma retórica, um rótulo para aqueles que, parados na história e cheios de preconceitos, teimam em não querer ver a realidade actual, linguistica, geográfica, cultural e política dos territórios emergentes.

Face a esta situação, importa apontar caminhos que concorram para a construção de uma lusofonia abranjente, que não se limite a um estrato social que teve a sorte de nascer num meio que lhe permitiu um contacto precoce com a língua e o acesso a uma escolaridade mais sólida, onde os professores são fluentes no uso da língua. E quando me refiro à fluência refiro-me à capacidade de jogar com a palavra, de a usar com sentidos múltiplos, de fazer dela a expressão de sentimentos, emoções, conhecimentos, acções, transmutações, criações… A flûencia está a uma distância lunar da funcionalidade e da soletração mecânica de nomear “a v i ã o” para apontar um avião que passe sobre o planalto de Mueda, dito por uma criança que nunca ousou sonhar em ver um aeroporto de perto.

Como conseguir esta fluência?

A primeira pista é olhar de frente para a realidade. Fazer um diagnóstico sério sobre o estado da língua lusa e sobre a forma de comunicação presente em todos os domínios da vida dos grupos que compõem o mosaico chamado nacional. Sem este diagnóistico, daqui a vinte anos estaremos novamente aqui a lamentarmos sobre a pobreza da língua, sobre a iliteracia, sobre a chegada dos alunos à universidade sem saberem quase ler e escrever de forma compreensível para quem os lê.

A segunda pista é assumir o uso do português como língua segunda, nalguns casos, e até como língua estrangeira noutros, sempre que ela se assumir como tal em determinados contextos, de acordo com metodologias próprias e em conjunto com a língua materna. Isto evidentemente não se compadece com a formação atual dos professores, mas requere um sério investimento nesta área não só no domínio da LP como das múltiplas línguas faladas ao longo dos 3000 km do território moçambicano.  Este processo requer tempo, investimento e vontade política e já começou…

A escolarização deveria começar antes da escolaridade obrigatória, ou seja, seria fundamental que a aprendizagem da LP começasse numa idade precoce para que a fuluência oral no uso da LP precedesse o ensino da escrita. O que se passa neste momento é que o ensino do português, por não ser uma língua dominada pelos alunos ao nível da oradidade e pouco dominada por muitos dos professores, é feito de uma forma muito mecânica em que a componente de comunicação acaba sendo descurada.

Defende, por último, Fernando Cristovão,[iii] uma ideia que nos parece pertinentíssima para este desiderato: a construção de um Tesaurus Lusófono que em edições de baixo custo e com grande divulgação a cargo dos sistemas de educação dos diversos países, dêm a conhecer os melhores autores dos oito países e das várias regiões, em séries escolhidas, apoiadas em breves bibliografias e apetrechadas com as notas explicativas linguísticas e culturais essenciais para a compreensão do texto.

Estes textos seriam publicados na sua variedade linguistica, sem alterar e adulterar a sua identidade.

Estamos agora em condição de passarmos à segunda parte da minha comunicação para falar especificamente do meu trabalho como editora num país com tais dificuldades.

Rapidamente ao abraçar o campo editorial em Moçambique (depois de uma experiência editorial em duas editoras em Portugal) me dei conta de que o meu trabalho não se podia de forma alguma restringir a editar para o contexto da Escola Portuguesa, embora me fosse grato o facto de não ter que pensar na sustentabilidade económica deste projeto. Isto porque sabia, e agora confirmei-o, que os livros na sua maioria, em Moçambique, não vendem mais do que 250 a 300 exemplares (na melhor das hipóteses), o que sabemos ser claramente insuficiente para cobrir os custos de edição, bastante encarecidos pelo facto de estarmos num país onde a maioria dos insumos para a produção do livro são importados.

Para se ter uma ideia, apenas os custos de impressão em offset de um livro são cerca de três vezes superiores aos mesmos em Portugal. E ainda que possamos produzi-los em Portugal ou noutro lugar qualquer, em detrimento da economia moçambicana, temos de acrescentar os custos ligados ao transporte e desalfandegamento dos mesmos, o que duplica os custos de produção e faz com que os preços ao consumidor disparem.

Se a isto aliarmos ainda o facto de não podermos beneficiar de uma economia de escala pelo facto do mercado não absorver mais do que tiragens de 500 exemplares (e um livro para se pagar, em custos directos e indirectos, tem de vender 700), isto deixa qualquer editor diante de um dilema.

Aqui não podemos deixar de referir a necessidade de o Estado começar a apostar seriamente numa política que permita ao editor vender à cabeça uma tiragem mínima de 1000 exemplares, que seriam distribuidos por uma rede de bibliotecas municipais e escolares com a finalidade de fazer chegar o livro aos seus destinatários, que afinal são as crianças e jovens que representam uma fatia maioritária dos 22 milhões que constitui a população moçambicana.

No que dizia respeito à literatura para crianças, os livros editados em Moçambique restringiam-se ao livro didático e, mesmo os poucos livros editados fora deste âmbito, padeciam de uma intencionalidade mais moralizadora que lúdica e introdutória à linguagem literária.

O desafio era colocar a circular livros que chegassem a um número considerável de crianças, fora do circuito livreiro embora se colocasse uma parte da edição à venda, e que se tornassem realmente vivos na sua utilização.

É um pouco isso que pretendemos fazer ao publicar, neste caso, para as escolas (que é o nosso grupo-alvo), através de textos acessíveis, um pouco do patrimínio identitário, embora numa versão literária. Para isso inventámos uma colecção: Contos e Histórias de Moçambique em que convidamos os escritores a recriarem uma história da tradição oral e os pintores nacionais a ilustrarem-na. Já produzimos doze livros, desde o primeiro, de Mia Couto e Malangatana, O Pátio das Sombras.

Muitos foram os que se insurgiram contra esta nossa colecção, primeiro os integristas da tradição estavam contra a deformação do texto oral em literário (como se a tessitura da oralidade fosse imutável), contra o facto de os livros não serem propriamente livros para crianças, contra a transformação dos livros em objetos estéticos (como se as crianças pobres não tivessem direito ao belo), contra o facto da escola portuguesa se imiscuir no universo da edição moçambicana, e, pior, ainda, ousar vender no mercado livreiro. Claro que os detractores da colecção são os suspeitos do costume: aqueles que nada fazem.

Também caiu mal que usássemos um parceiro catalão para a produção dos livros, pois para fazermos face ao elevado custo de produção dos livros, dado que fazemos cinco mil exemplares para ofertas a escolas e bibliotecas, socorremo-nos da parceria com uma Fundação de Barcelona… Uma vez o Instituto Camões recusou-nos ceder a sala para o lançamento de um dos livros porque havia espanhóis na mesa. Espero que este nível de tacanhez não se volte a repetir.

Foi preciso alguma teimosia para continuar.

A colecção, que é muito bonita e teve amplo sucesso crítico, já ganhou um parceiro no Brasil, a editora Kapulana, que os edita em S.Paulo. Em casa, apesar de oferecermos às escolas grande parte da edição, ainda conhecemos algumas dificuldades de penetração porque às vezes os exemplares dados às escolas ficam retidos nos armários do gabinete do senhor director pedagógico “para – dizem eles – os meninos não os estragarem”, e serve-nos de pouco regatear e explicar que preferíamos que os meninos os estragassem. Só o tempo, cremos, trará bom senso aos guardiões da propriedade.

Devolver a cultura oral aos serviços de educação formal, acrescentando-lhe o cariz literário, foi o propósito para esta colecção. A criança identifica-se com o imaginário presente nos textos, reconhece-o como seu e ao mesmo tempo vai entrando através da digressão imaginativa por novos territórios semânticos, linguísticos e artísticos, explorando as representações simbólicas literárias e as da imagem, apropriando-se então dos códigos presentes no objeto livro que se tornará familiar e amado.

Este amor é requisito necessário para ganharmos alguém para o universo dos leitores. Este universo de leitores é cada vez mais importante nos dias de hoje, onde o livro concorre com tantas formas que deixam a criança passiva e à mercê de apelos consumistas e de todo o tipo de manipulação ideológica e política.

Mas ao mesmo tempo há muitas situações gratas, quando há escolas que transformam os contos que editamos em peças de teatro, ou que fazem música a partir de poemas dos livros infantis que editamos, ou quando os nossos jovens autores numa atitude quase missionária percorrem o país com os livros falando ao coração dos jovens e convidando-os a ouvir textos…

A rede de autores foi-se multiplicando, transformou-se em verdadeira amizade em torno das leituras que se partilham e que alimentam o gosto por ir mais além na escrita.

E nós fazemos tudo para criar situações em que se recria o ambiente da oratura, as rodas de leitura ou de conto de histórias. Podemos pegar na literatura e devolver-lhe o lado oral. Podemos criar situações na escola ou na família em que o centro são as histórias, a narrativa, a palavra. A componente dramática e musical pode estar presente. Tudo pode contribuir para que a emoção – componente primordial da aprendizagem e da interioridade  – esteja presente.

Contudo, não tenhamos ilusões, não podemos voltar atrás no tempo.

Hoje é necessário que se criem condições para a circulação dos bens culturais e dos livros e que se firme um mercado. Senão todo este trabalho é inútil.

Não basta editar e sentarmo-nos confortavelmente a olhar para os livros, congratulados, “Que lindos que são e que bem nos fica…”

Há dias visitou-me um jovem autor que pretendia saber das vendas do seu livro: pedi à contabilidade os últimos relatórios de vendas e constatámos: em dois anos ele tinha vendido 30 livro nas livrarias. Até tive uma baixa de tensão. Como corresponder às expectativas legítimas de um autor?

Como contrariar o que estrangula este mercado:

– as livrarias em Maputo não apostam nos livros editados em Moçambique fora do âmbito técnico e escolar;

– os consumidores que não têm dinheiro para pagar um livro que custa cerca de 1/5 do salário médio de um moçambidano, como deixar de iludir esta questão;

– a distribuidora não consegue chegar à maioria do país e ao mercado internacional;

– o Estado que não investe na compra de livros para as bibliotecas escolares;

– a Associação de Escritores Moçambicanos/AEMO e o Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, estranhamente, não conseguiram ainda fazer a pressão suficiente para tornar possível uma política do livro.

É aqui que talvez a Lusofonia possa adquirir um rosto e ajudar-nos a criar condições para que os livros de todos circulem pelo país. Se os países, as instituições e as organizações que querem redimensionar de forma útil o conceito e a prática da Lusofonia, em vez de nos oferecerem palavras bonitas, nos auxiliassem a criar condições para recuperar um circuito para a distribuição dos bens culturais em toda a área de Moçambique, aí sim a Lusofonia teria finalmente pernas para andar.

Este sim, parece-nos o grande desafio para o futuro.


[i] António Cabrita, A Lusofonia e Grabato Dias, in Actas do IV Simposium: Diálogo entre Culturas, 2008

[ii] Lourenço do Rosário, lusofonia: cultura ou ideologia, in Actas do IV Simposium: Diálogo entre Culturas, 2008

[iii] Fernando Cristovão, Língua Portuguesa: da Lusitanidade à Lusofonia, Sete tópicos para o ensino de Português no Estrangeiro, in Actas do IV Simposium: Diálogo entre Culturas, 2008

 

 

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