Tiago Haiky

Os poemas enviados pelo autor  complementam a entrevista que conta também neste número.

Curumim gosta de tomar banho de rio

Não tem importância se estiver frio

Curumim é menino da floresta

Faz do seu dia a maior festa.

 

Passeia de canoa pelo igapó

Pesca peixe sarapó

Pra assar na lenha de acapú

E depois saboreá-lo com suco de cupu.

 

Curumim acorda cedo ouvindo a passarada

Levanta da rede quando sorri a alvorada

Ele gosta de ouvir história

Para depois guardar em sua memória.

 

Curumim da floresta sobe em árvore

Para admirar as estrelas

Colhe no canto dos pássaros lindas flores

Para fazer colares multicores.

Hakiy é morcego

Na língua sateré

Mamífero de segredo

Do escuro não tem medo.

 

A noite namora as estrelas

De dia desenha os sonhos

Em belas aquarelas.

 

Suas asas cortam o vento

Rápido como trovão

E num piscar de tempo

Suas garras riscam o chão.

 

Dorme pendurado sob os pés

Em noites de chuva não vai passear

Entregue ao sono esquece de caçar

Em noites assim gosta de sonhar.

 

Na canoa descansa o remo

Muitas remadas foram dadas

A madeira cumpre seu destino

Das águas compartilhadas.

 

O remo é feito de madeira de lei

Não quebra fácil, eu sei.

Pode ser pequeno, ou grande

Vai depender ao que ele se pretende.

 

Ajuda a empurrar a canoa

Sua fabricação não é atoa.

Entra e saí da água numa boa

Na água do rio ou na lagoa.

 

Na aldeia

Quando o dia clareia

Muitos pegam seu remo pra remar

É o indígena que já vai navegar.

 

 

 

A aldeia toda se incendeia

Na manhã de sol na floresta

Tem peixe assando na fogueira

Suco de cupu para completar a festa.

A aldeia é o lugar de morar

É onde o povo indígena gosta de ficar

Tem muitas casas, gente sorrindo

Tem xerimbabo dizendo: seja bem vindo.

A aldeia fica no meio da floresta

Às vezes perto do rio, onde é bastante frio,

Em noites de lua cheia tem festa

Em momentos assim a coruja não dá pio.

A aldeia pode ser grande, pequena,

Pode ser redonda ou quadrada,

É o lugar do povo morar

É onde a alegria gosta de ficar.

 

Tem muitos pássaros na minha floresta

Pequenos, grandes, de todas as cores

Cantando fazem a maior festa

São lindos, meigos, uns amores.

 

A Arara amanhece cantando

Anunciando a manhã que vem chegando.

O João de Barro acorda um pouco tarde

Começa  dia feliz, sem alarde.

 

O Ticoã canta a meio dia

Canta alto, demonstrando alegria.

A Garça que  se veste de branco,

Quando o peixinho lhe foge da boca, fica em pranto.

 

Lindo mesmo é o Galo da serra

Vestido com seu paletó de arco-íris

Amansa qualquer fera.

Delicado é o Beija flor

Passa o dia namorando a flor.

Tem também Urutau

Que imita um pedaço de pau.

Mas eu gosto mesmo é de ouvir o Pipirão

Seu canto mavioso

Alegra meu coração

 

 

 

 

Era uma vez

La no meio do mato

O grilo e o carrapato

Um era solteiro, outro muito chato.

 

Um falava bem auto

Outro devagarinho

Um usava sapato

Outro chinelinho.

 

Os dois saíram a passear

Um pisou no espinho

Outro começou a chorar

Outro riu baixinho.

 

Lá se foram os dois pela floresta

Conversavam na maior festa

Um era solteiro, outro muito chato

Era o grilo e o carrapato.

 

 

No meio do igapó morava o sarapó

Bem perto dali morava o jaraqui

Os dois eram compadres de pescaria

Um namorava a piranha outro a traíra.

 

Uma noite na cidade dos peixes

Teve uma baita festa

O salão tava lotado, cheio de enfeites

Teve música de rio e também seresta.

 

O sarapó dançou com a sulamba

Deixando a piranha enciumada

O jaraqui, com a pescada dançou e dançou

E atraíra nem se importou.

 

 

A festa durou a noite inteira

Teve tarubá e mingau de crueira

Mas o dia teimou em chegar

Eles tinham que pra casa voltar.

 

A piranha ainda chateada

Beliscou no sarapó

O jaraqui com a traíra que não eram bobo nem nada

Deixaram só o sarapó.

 

O sarapó pediu desculpa

Disse que não tinha culpa

A sulamba era faceira

Gostava de dançar, não era namoradeira.

 

A piranha o desculpou

E com carinho o abraçou

O sarapó contente ficou

Porque o amor o perdoou.

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