Marcelo Luciano Vieira | Entrevista

Professora Maria Helena Ribeiro, com o Prof. Marcelo Luciano Vieira

Professor Marcelo Vieria, um exemplo de um leitor apaixonado: dos movimentos sociais ao doutorado

O iiLer – Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC- Rio, a convite da Revista Cátedra Digital, da Cátedra UNESCO de Leitura, recebeu, no dia 23 de novembro de 2016, o Prof./Doutor Marcelo Luciano Vieira, atualmente Professor do curso Graduação do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio. Sua visita teve como objetivo de relatar a sua trajetória escolar e acadêmica, desde a infância até os dias de hoje. O professor, durante o relato, destaca suas inquietudes, seus diversos interesses, sua consciência como cidadão negro e sua aceitação nos diversos segmentos da ascensão profissional. Sua vida seguiu curso interessante e emocionante, pois identifica-se, perfeitamente, o efeito da Leitura na construção da cidadania e na diversidade de interesses, principalmente na área social.

 

Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, foi criado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde teve a maior parte da sua formação escolar. Foi ali que nasceu seu interesse pelos problemas sociais, diante das faltas e necessidades de seu entorno comunitário.

 

Frequentou escolas públicas de qualidade e, por sorte, teve as melhores oportunidades de convívio com professores, leitores, livros, literatura e bibliotecas. Já trazendo de casa o gosto pela leitura, teve como referência de leitor, sua mãe, uma leitora contumaz. Trouxe com ele também a memória da biblioteca particular de seu tio, que encantou sua infância e mocidade, dando respaldo e lastro à trajetória acadêmica e ao seu engajamento e dedicação às causas sociais.

 

Segundo o entrevistado, o fato de ser negro e ter vindo de uma família pobre jamais foi um impedimento para seu crescimento como cidadão consciente e combativo. Muito pelo contrário. Esses fatores condicionantes e limitadores motivaram-no  acumprir suas metas sempre com um olhar atento, determinado, e a convicção de que seu papel no mundo era usar sempre o conhecimento adquirido no ensino formal em prol de uma sociedade mais justa, do bem-estar da sua comunidade e da melhoria da qualidade de vida dos seus semelhantes.

 

Oriundo do Movimento Negro, ingressou na PUC-Rio com Bolsa Social, pelo Grupo do Frei David ― Movimento Negro, um dos primeiros grupos a receber bolsa.  Foi levado, pelas suas inquietações teóricas, políticas e pessoais a quase uma obsessão pelas causas sociais, o que o fez ampliar seu olhar sobre as necessidades mais prementes e, posteriormente, a migrar para a área da Saúde, onde percebeu a maior demanda da sociedade.

 

Hoje atua nas linhas de pesquisa Trabalho Gênero e Políticas Sociais e Ciência e Saúde Coletiva ― construção do conhecimento, imagens e sentidos na produção do cuidado de saúde; e Espaços Públicos, Instituições e Sociedade civil ― novas práticas de cuidado na saúde.

 

Ao se dedicar à saúde coletiva, Prof, Marcelo, apresentou uma carreira acadêmica exemplar. É  interessante observar como transitou pelas diversas áreas  e hierarquias da Universidade sem maiores problemas no que toca às diferenças de cor e à condição social.

 

Perguntado sobre a questão das diferenças ― especialmente dos negros na PUC-Rio ―, ele confessou que nunca se deu conta disso nos Cursos de Graduação, Mestrado e nem no Doutorado. Hoje ele é o único negro a cursar o –Pós-Doutorado em Saúde, no LAPPIS/IMS/UERJ. Acrescentou que, nos últimos tempos, essa questão do negro na PUC-Rio está bem discutida e tem evoluído bastante. Talvez, disse ele, em alguns cursos ainda se faça presente alguma forma de preconceito velado, mas uma atitude explícita de exclusão, isso ele nunca assistiu.

 

Assistam entrevista e acompanhem a trajetória vencedora de um Professor que rompeu com todas as dificuldades que um negro e filho de família pobre poderia ter sofrido ao se destacar no meio acadêmico. Sua conquista se deve, segundo ele, à sua busca eterna pela própria identidade. E, seguindo os conselhos do seu pai, “nunca seguir os exemplos, e sim seus próprios caminhos. Buscar referências, mas nunca seguir exemplos para não ter sua mente limitada”, ele próprio podendo ser considerado uma referência.

 

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Marcelo Luciano Vieira foi membro da Comissão Geral e da Comissão Acadêmica de Graduação do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio

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